O Jornal Cabeça de Rato
O Cabeça de Rato foi fundado em 9 de dezembro de 1988, na cidade de Sertânia (PE), pelo multiartista Zito Júnior. A origem do nome, curiosa e rústica como o nosso solo, remonta ao dia em que Zito avistou formigas carregando a cabeça de um rato; a imagem, inusitada e de forte impacto visual, foi escolhida para batizar o periódico com o objetivo de atrair a curiosidade dos leitores.
Inicialmente, o projeto nasceu como um fanzine destinado a escoar a produção poética autoral de seu criador, mas logo evoluiu para um robusto instrumento de intercâmbio cultural. Ao longo de sua trajetória, o jornal passou a reunir autores, estilos, territórios e gerações, tornando-se um espaço de circulação da poesia impressa e da palavra sertaneja.
Os editores
Embora tenha sido fundado por Zito Júnior, o Cabeça de Rato se consolidou também como uma construção coletiva. Desde os primeiros passos, o jornal contou com a participação editorial de Zito Jr., Flávio Magalhães, Álvaro Góis e Josessandro Andrade, nomes que ajudaram a dar continuidade, organização e consistência à publicação.
Essa presença coletiva reforça uma das marcas mais importantes do projeto: o jornal nunca foi apenas um suporte para poemas, mas um ponto de encontro entre criadores, leitores, colaboradores e defensores da palavra impressa.
Estrutura Editorial e Linguagens
O jornal possui um estofo editorial bem definido, organizando-se em seções que abrigam diferentes matizes da palavra. Essa estrutura ajuda a preservar a diversidade de vozes que compõem o Cabeça de Rato, sem perder o traço artesanal e experimental que caracteriza sua identidade.
Folha Pirata: espaço aberto para poemas de autores diversos.
Pirão de Repente: seção dedicada à valorização da poesia popular e da cantoria de viola.
Poesiarte: espaço onde a palavra se aproxima da imagem por meio da poesia ilustrada.
Folha Grumete: coluna voltada à visibilidade de novos talentos e poetas em início de trajetória.
Capas Biográficas: edições que homenageiam grandes vates, registrando aspectos de suas vidas e obras.
Entre a poesia autoral, o repente, a ilustração e a homenagem biográfica, o jornal construiu uma linguagem própria: simples no formato, mas densa no valor documental.
Abrangência e Impacto Cultural
O Cabeça de Rato não se limita às fronteiras de Sumé ou Sertânia. Sua circulação alcançou cidades como Arcoverde e Custódia (PE), além de Monteiro, Serra Branca, Zabelê, Cabaceiras, Congo e Umbuzeiro (PB), formando uma rede de leitores e colaboradores entre o Cariri paraibano e os sertões pernambucanos.
O jornal também se consolidou como ferramenta de incentivo à leitura em salas de aula e como peça importante das atividades da Zitart’s — Associação Cultural de Sumé. Nesse percurso, suas páginas passaram a funcionar como uma espécie de arquivo em movimento, registrando produções que, sem esse suporte, poderiam permanecer dispersas ou restritas à oralidade.
Autores, vozes e memória
Nas suas páginas, já figuraram desde ícones locais como Luizinho Batista e Zé Marcolino até nomes de relevo nacional e universal, como Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Patativa do Assaré e Paulo Leminski. Essa convivência entre autores populares, regionais e consagrados reforça o caráter plural do periódico.
Um registro vivo da poesia sertaneja.
O Cabeça de Rato é, em suma, um registro vivo da nossa verve artística. Entre o papel, a tinta, a imagem e a voz, o jornal prova que, mesmo diante das dificuldades do tempo, a poesia em nosso sertão nunca fica muda.
Acessar o acervo